Primeiras respostas

 Um jardim de infância, contam os historiógrafos da educação, é o antigo kindergarten, importado de Froebel; é também o que se construiu a partir das salas de asilo e creches francesas, de caráter assistencial. O termo se referia, no Brasil, às instituições que já foram chamadas de pré-escolares – isso até a luta por creches, movimento social muito forte no final do século XX, nos trazer, junto às novas legislações, o firmamento de uma nova denominação: Educação Infantil.

O kindergarten foi assim batizado pelo discurso da época: se nos anos 2000 a propaganda da TV nos dizia que os carros são como as lanchas e os pedestres são como os banhistas (perdoe a piada), o século XIX nos dizia que as crianças eram os germes e sementes do futuro, eram nossas plantas, a serem germinadas, regadas, cuidadas e crescidas, a fim de se tornarem adultas, cidadãs - pessoas, enfim! Esses lugares onde se educava, ou se assistia, às crianças pequenas, ora eram o “mal necessário”, onde as pobres crianças eram destituídas da maternagem de suas mães, ora parte de um projeto de instrução e civilidade. O estatuto da educação infantil enquanto instância educativa é muito recente, e ainda agora nós ouvimos por aí estas mesmas visões se repetindo.

A discussão é extensa – do assistencialismo ao médico-higienismo, do conservadorismo jurídico em relação às infâncias marginalizadas às conquistas das mulheres trabalhadoras, do direito à educação a todo o reconfigurar normativo e material do que significa a educação das crianças de 0 a 6 anos – de tudo isso nos é revelado toda uma tensão política do que significa ser criança, ser professora, e ser escola, no Brasil e no mundo.

Fato é que hoje temos “jardim de infância” como denominação já em desuso, por diversos motivos. “Educação infantil” é a etapa de ensino que precede o Ensino Fundamental; “pré-escola” é a etapa obrigatória por idade, dos 4 aos 6 anos (ou, devo dizer, até os 45 do segundo tempo dos 5 anos), enquanto “creche” é a etapa referente aos 0 a 3 anos. Esta obrigatoriedade veio a acontecer justamente para assegurar o dever do Estado na oferta de vagas para as crianças que ainda não frequentam o Fundamental.

Um jardim é já uma ideia ultrapassada; as crianças são seres de direito, inteiros em suas etapas de desenvolvimento; são pessoas em relação de alteridade, não de incompletude, ao ser adulto – ele também, um ser humano em desenvolvimento. Como poderíamos prosseguir jardinando crianças? O que quer dizer a pedagogia waldorf quando nos apresenta um jardim de infância?

Há algumas explicações:

1. Uma simples desatualização do termo, quem sabe ingênua;

2. O insistir em visões mais conservadoras do conceito de infância e educação;

3. A apropriação da significação de “jardim”.

Há todo um livro, redigido por um Jacques Delile, cujo título assim nos é traduzido: “Os jardins, ou a arte de aformosear as paisagens.”

A mesa de época: uma pequena paisagem.


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